Pandora Papers coloca líderes mundiais e celeridades no centro da corrupção “institucionalizada” globalmente

Pandora Papers coloca líderes mundiais e celeridades no centro da corrupção “institucionalizada” globalmente

A informação caiu na manhã desta segunda-feira, 4, pelos créditos iniciais  da britânica BBC e o veículo The Guardian, revelando que a investigação liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ na sigla inglesa) descobriu documentos de contas offshore e várias informações financeiras de mais de 35 líderes mundiais de topo (no activo e aposentados), entre quais 300 dignitários de cargos oficiais, empresas renomadas e figuras públicas.

A investigação do consórcio jornalístico analisou documentos que revelam indícios dos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal e trouxe à luz “os mecanismos interiores de uma economia subterrânea que beneficia os mais ricos e influentes, à custa da grande maioria das contribuintes”, cita a nota no site do ICIJ.

Designado de “Pandora Papers” uma alusão ao mítico conto grego, à investigação do ICIJ revela entre outros, por exemplo, que o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, apesar do seu enfoque na luta contra à corrupção depois da última reeleição, parentes próximos como mãe, irmãos e duas irmãs, têm cerca de 30 milhões de dólares divididos em várias contas ou sociedades offshore.

Outro visado na investigação é o Ex Primeiro-ministro britânico, Tony Blair,
mencionado juntamente com a mulher num processo em que ambos terão deliberadamente contornado o regulamento do imposto de selo na compra de um escritório em Londres, para economizarem mais de 300 mil euros, através de uma empresa sediada em offshore, que era na verdade, a proprietária do edifício que inclui o referido escritório.

O extenso documento inclui ainda nomes como Vladimir Putin, Presidente da Rússia, o Rei da Jordânia, Abdullah II bin Al-Hussein e outros.
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Segundo a BBC, as revelações apontam que Vladimir Putin tem ativos secretos no Mónaco e que o primeiro-ministro checo, que enfrenta uma eleição esta semana, não declarou ter uma empresa de investimentos offshore que usou para comprar duas luxuosas moradias no sul de França.

Os Pandora Papers mostram também como os mais poderosos e influentes do mundo têm criado empresas de forma legal para depois, secretamente, comprarem propriedades no Reino Unido, revelando os nomes dos donos de mais de 95 mil empresas em paraísos fiscais que estão por trás das compras. Um dos casos revelados é o do presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, cuja família e associados estarão envolvidos na compra de propriedades ao Reino Unido, em segredo, em negócios que ultrapassam os 500 milhões de euros, tendo chegado a fazer lucro com a venda de propriedades à Coroa.

Nos documentos, alguns que apresentam transações sem indícios de crime, é também revelado um alegado esquema usado pelo Rei da Jordânia Abdullah II bin Al-Hussein para comprar propriedades em todo o mundo, através de offshores, num total de 15 casas, incluindo mansões no valor de 55 milhões de euros em Malibu, nos EUA, ou em Ascot, no Reino Unido.

Os documentos trazem ainda nomes como o de Dominique Strass-Kahn, ex director geral do FMI,  os músicos  latinos Júlio Iglesias e Shakira, o treinador de futebol do Manchester City, Pep Guardiola, o chefe da máfia italiana de Camorra, Raffaele Amato e a modelo alemã Claudia Schiffer.

Consulte aqui o dossier do ICIJ sobre o Pandora Papers.

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